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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

vôo a céu aberto


















© kamenf



O mundo filtra-se pelos ouvidos
De quem não vê senão a própria noite:
Meus olhos pegam sons com dedos falhos
mas nada tem substância aqui mais dentro.
Risos e palavras nesta sombra eterna
chegam e nadam, giram, se entrechocam
em desenhos de luz que não entendo.

Estendo o meu coração, ouvido inquieto,
em busca de algum som definitivo
que abra em claridade estes dois olhos secos,
e me lance desta pedra em vôo a céu aberto.

domingo, 17 de outubro de 2010

paraíso



















© george
gradinaru




Ela é inteiramente o que comtempla:
não a flor, mas o espaço fora
das coisas.
Nessa liberdade
sua pequena mão contorna desenhos
que nem a minha lucidez
alcança.

Não quero indagar se faz sentido,
nem a chamo para o cotidiano:
nada que eu lhe possa mostrar
vale o seu olhar
de agora.


[para minha filha Julia com muito amor...]