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domingo, 3 de abril de 2011

um tropeço de claridade





















scarabuss
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Aquele que mais amo é distância.
São os dias que fatais me faltam.

Os caminhos ínvios que não andei.
As palavras ainda na garganta.

O maduro ainda no caule. As brenhas,
os intricados, os avessos. E essa

vigilância ao dormir e esse insone
viver de que há uma manhã por

abrir-se e os passos mais próximos
a uma porta trancada na árvore,

a um trago de vinagre, a um travo
da seiva, um tropeço de claridade.
.
.
.
[A força de não ter força]

sexta-feira, 1 de abril de 2011

quando o não viver lateja nas veias














d anderton
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Se te é pouco o meu viver,
dou-te também o não viver.
O não-colhido do semeado.
O não-saboreado do colhido.
O sabor pleno do arredado.

Se te é pouco o meu morrer,
dou-te também que não morro.
O não-término da vida breve.
A longa vida da não-vida.
O alçado das descidas. O atar

do desatar-se, que o não viver
lateja nas veias mais vívido
e o ainda não-morrer bombeia
o fluxo para a boca com o olvido
do rosto, no gosto em fuga.

sábado, 22 de janeiro de 2011

sobre o susto de saber

























Procuraste teus submergidos
nos seixos, nos logradouros,
nas enfermidades. Confrontaste

traços e deformações, aguçando
o ouvido junto à pele. Da multidão
há de surgir um vulto; dos ruídos

hão de voltar os passos; das mãos
vazias há de rebentar o calor.
De relance, de um cabelo, de

um timbre, de uma unha, um dente
e rios, rios sobre as frinchas de
luz, sobre a maça semidescascada,

sobre a xícara não lavada da brusca
evasão, rios sobre o susto de saber
que a esperança espúria, apátrida,

abre caminho para os teus
pulverizados, amor, nos busquem
e compadecidos, nos levantem.