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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

quando esperar o nada é tudo...


























andrey dubinin


Esperar sentado, mas sem
relaxar os músculos. Mãos
tensas nas coxas como quem
prestes a se levantar. Não

como quem, à espera, descansa.
E sim como se encurralado
na cadeira. Sem esperanças
nem expectativas. Sentado


na cadeira como quem não
espera exactamente nada.
Sem certezas, com exceção
da única, e indesejada.

domingo, 28 de novembro de 2010

eterno desencontro

nada como a manhã














© iNeedChemicalX



Nada como a tarde trapos encardidos
enxugando os restos de uma luz já suja,
recolhendo as manchas de sol desmaiado
com a complacência de um apagador.

Nada como a manhã, com seus dedos de feltros,
flanelas metafóricas de pura indiferença,
a estender sobre o escuro a realidade plena
de um dia ainda há pouco de todo inconcebível.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

como se a vida fosse água


















© Matthieu Soudet

Nunca não ser ninguém nem nada,
porém deixar-se estar no tempo
como se a vida fosse água,

como quem bóia a flor da água
sem rumo, sem remo, sem nada
além de sono, tédio e tempo,

senhor de todo o espaço e tempo,
munido só de pão e água
e, sem precisar de mais nada

beber sua água enquanto é tempo.
E, depois, nada.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

pode um começo doer tanto?



















ineedchemicalx

A dor do fim
contamina o momento anterior
e dele passa ao instante antes,

e sendo assim
o que era um só ponto final de dor
vira uma sucessão de instantes

sempre a doer,
a andar pra trás, de dor em dor, chegando
ao ínicio de tudo, enfim,

sem entender
como pode um começo doer tanto
quanto (se não for mais que) um fim.