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quinta-feira, 17 de março de 2011

onde nenhuma palavra pisou


















alejka
deviantART



As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis

e dizíveis como se nos pretenderia fazer crer; a maior

parte dos acontecimentos é inexpremível e ocorre num

espaço em que nenhuma palavra nunca pisou.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

desenvolvimento pleno

























Penso que deveria haver uma grande, poderosa oração com uma única súplica: que cada um encontre em seu caminho apenas a sua dificuldade; quero dizer, aquilo que pelo menos está em certa proporção com as tarefas compreendidas e apaixonadamente aceitas em sua vida - isso poderia então ser grande, até extraordinariamente potente; poderia mesmo ser fatal. Pois quem, tão logo assuma uma luta genuína, não tem também a tácita e sagrada felicidade de sucumbir nela..., mas dentro dela, não fora, não numa região onde o que esta pessoa tem de melhor, de mais sério, mais exercitado, onde suas forças, seu julgamento, sua experiência desenvolvida parecem paralisados ou simplesmente não podem ser levados em consideração. Essa pergunta não deve ser efetivamente resolvida assim? Especialmente quando se pensa no artista, cujas tarefas o excedem total e incansavelmente no terreno que lhe é mais próprio. A ele, sobre todos os outros, seria de desejar e conceder que se confrontasse (se possível, desde a juventude) apenas com suas dificuldades!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Saber quando é a sua vez de cantar















johnny joker


Natasha Bedingfield - Somewhere Only We Know

Não importa se é a cantiga de uma lâmpada ou a voz da tempestade, a respiração da noite ou o gemido do mar que o cerca, sempre vigia atrás de você uma vasta melodia, tecida de milhares de vozes, em que apenas de vez em quando há espaço para seu solo. Saber quando é a sua vez de cantar, esse é o segredo de sua solidão, como é a arte da verdadeira interação: deixar-se cair das palavras imponentes para entrar na melodia única, compartilhada.


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

o bom casamento

















© Klaus Ratzer

O bom casamento é aquele em que um designa o outro como guardião de sua solidão e lhe demonstra a maior confiança que ele tem a conceder. Uma vida conjunta de duas pessoas é uma impossibilidade e, quando ela todavia parece existir, é uma limitação, um acordo mútuo, que priva uma parte ou ambas de sua mais plena liberdade e desenvolvimento. Mas, contanto que se reconheça que mesmo entre as mais próximas pessoas subsistem distâncias infinitas, tão logo consigam amar a vastidão entre elas que lhes dá a possibilidade de se verem um ao outro em sua forma total e diante de um céu imenso!
Por tal motivo, isto também deve servir como critério para a rejeição ou a escolha: a possibilidade de desejar velar pela solidão de outra pessoa e de estar inclinado a colocar essa mesma pessoa nos portões de nossa própria profundidade, da qual ela só tomará conhecimento graças à aquilo que emerge da grande escuridão, festivamente trajado.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

precisamente esse coração























© Sarolta Bán

Pois o que mais ser do que precisamente esse coração, que o mundo se nos torna alternadamente "objeto" e "eu", interior e contraparte, anseio e fusão - e que, com suas batidas, ocasionalmente talvez coincida com sabe Deus com que compassos infinitos no cosmo... (talvez por acaso).

Por fim - nós o sabemos -, a pequena sabedoria da vida consiste em esperar (mas esperar no estado de espírito certo, puro), e a grande graça que de tempos em tempos nos é concedida consiste em sobreviver...

viver a vida ao limite























© Ivan Radic

É necessário viver a vida ao limite, não segundo os dias, mas segundo a profundidade. Não é preciso fazer o que vem depois, se alguém sente que tem mais participação no que vem no ainda depois, no longínquo, na mais remota distância. Pode-se sonhar enquanto os outros salvam, se esses sonhos são mais reais para alguém do que a realidade, e mais necessários do que o pão. Numa palavra: é preciso tornar a mais extrema possibilidade que alguém traz em si o critério de sua vida, pois nossa vida é grande e acomoda tanto futuro quanto somos capazes de carregar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

o amor


















© Khomenko



O amor não é outra coisa senão o apelo urgente e venturoso ao outro para que seja belo, abundante, grande, intenso, inesquecível:

"Nada senão o transbordante compromisso de que o outro se torne alguma coisa."

buscando a beleza em toda parte















© Beppe


Você sabe que o inexorável deve estar presente [na poesia] por vontade do rogado, e que a beleza se torna rala e insignificante quando buscada apenas no que é agradável. Ocasionalmente ela se move aí, mas reside e está desperta em cada coisa em que se encerra e emerge apenas para aquele que crê em sua presença em toda a parte e não avança a lugar algum antes que este alguém a persuada a sair.