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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

o grito não acaba














imagem
patrizio
battaglia


entre as gaivotas ali onde a palavra
não é música nem voz articulada
só grito sem apelo o elemento
entre rochas e mar
onde o eco não ouvido te assinala
o coito o perigo o parto e o silêncio
o mais é nada – a morte – ou é tão pouco
aí procuras os limites do corpo
o teu significado

não dialogas aceitas o rigor do homem
dele partes
não escutas as mensagens elas param
no cerco dos sentidos
cristal ignoras o sismo que te abala
a raiva que te rasga
espelho devolves o sol que não te aquece
para além da superfície

emerges na aridez suposta de ti
o que não sabes
circulas no pulso todavia incorruptível
das substâncias
germinas em metáforas repousas em potências
proliferas
não nas metamorfoses na memória
das partes da viagem

porque esse delírio não tem vasos
jamais o ultrapassas
pássaro homem labareda
o grito não acaba

[Teresa Balté - Mediações]
















imagem

raun.deviantart


A ascensão da noite é a memória
o recanto da pomba partilhado
a asa de outra ânfora o regaço
onde os labirintos que te acordam
repousam sob o lago

o horizonte ausente não abriga
a dissonância viva de um limite
o espelho cego aguarda não existe
o nó que te sufoca e reanima
o regresso do rosto à superfície.

[Teresa Balté - Metamorfoses]