Mostrando postagens com marcador walmir ayala. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador walmir ayala. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

do filho que eu não fui e que construo















hazargoksel


Passeio com meu filho pelo mundo
e é pouco para amá-lo este percurso.
Toco seus olhos de cristal escuro
e ele me vê robô, cavalo, urso.
Ele me vê raiz, me desafia,
briga e ama num elo conseqüente
com tudo os que é real, e me anuncia.


Passeio com meu filho à luz do dia,
e a luz fecunda a noite que nos une
num sonho latejante de silêncio.
Concentro-me de amá-lo com a uma
guarda a alucinação de seu perfume,
e penso, piso a terra, restituo
em dom de amar a amarga antecedência
do filho que eu não fui e que construo.

[seja bem vinda maria clara!...]

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

revelação
























Era amor que eu queria, mas dizer-te
tanto me custa em queda e medo e abalo
que, por temer-te o espanto, eu sempre calo
para iludido, assim ao menos, ter-te.

Revelação do amor, jamais ligado
o extremo do possível vai prender-te?
Zelo, libertação, ao fim rever-te,
Pôr asas no meu ser desalentado.

Ah, pureza de ter o que não cabe
na humana construção da mão mesquinha,
saber tudo o que o amado ser não sabe.

Esta é a sabedoria que não cansa,
roteiro de outro olhar que nos definha,
luta que esgota a vida e não alcança.

detalhes














© Helle



Solidariedade nas pequenas coisas,
nos detalhes cotidianos que nossos olhos endurecidos
........................................................[não percebem,
nas possibilidades prodigiosas que nossa energia não
.....................................................................[atina,
porque estamos remotamente ligados às catástrofes
.......................................................[de além oceano
quando na pedra da nossa calçada uma cabeça tomba
...........................................................[sem socorro.

Solidariedade de dividir: o lugar, o pão, o tempo, a
..........................................................[oportunidade,
o espaço.

Solidariedade de medir os gestos, de pensar os gestos
..............................................[(uma balança mágica).

Baixar os olhos, conhecer com atenção,
para depois amar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

projeto





















renansa-deviantART

Quem antes de mim marcou com sua forma este
[desenho,
este plano de vida
em que respiro
e que maravilhado dimensiono?

Quem
pisou a terra que hoje me baseia,
e cuja marca o vento cegamente
baniu?
Sou esse? Aquele? O outro?

Quem me sucederá neste meu feudo
de transitória posse? Filho escuso
que desconheço e que virá na sombra
reconstruir o tempo que respiro.

Quem fala em mim, além dos meus receios,
da minha consciência intimidada?
Quem me move a cobrir, tomar de assalto
o chão da vida? - senão o proprietário
que a morte com presteza ludibria?

De olhos cerrados tanjo o ar presente
e despetalo dedos abdicados.
De olhos abertos marco a luz com tênue
risco de compaixão.
Dentro do túnel
já se esboça um gemido, e me completa.

sábado, 25 de dezembro de 2010

crer






















duchesse-2-guermante


Creio em mim. Creio em ti. Deus, onde mora?
Na vontade de crer que me consente
humano e ardente.
No meu repouso em ti, que me alimenta.
No que vejo e recebo, nesta vara
florida num deserto, em meu maná
de agora e de jamais. Saber-me hoje
tão digno do tempo que me mata
é arder-me em Deus, e este saber me basta.