sábado, 21 de maio de 2011

surge então...





















TraceLegacy
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[...]
Surge,
então, aquele olhar que
reivindica a
vida

[mas a vida não é pra
se reivindicar].

Ninguém controla a porta.

[Entrada ou saída].

Nem a passagem de ar pela
garganta.

da minha solidão socorrendo a tua





















Kleemass
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[...]
Temos todo o tempo e o tempo é curto,
Em um minuto o passado elabora
O museu do futuro.

Podemos ainda amar a casa,
Encher as taças,
Inventar algum desejo pequeno
Com ares de importante.

Qualquer disparate
Nós podíamos, se quiséssemos,
Uma fresta de esquecimento
Onde tudo condensa memória.

Preferimos o momento ele puro, de calcário,
A fina arte da escultura.

Pouco importa a cara sufocada,
O corpo flagrado na posição do susto.
Passará a tempestade de pó,
A febre arreganhada passará, o escuro.

Não passará minha solidão socorrendo a tua.

é sempre...






















É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.
É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.


[o enterrado vivo]

saudade

sexta-feira, 20 de maio de 2011

não transbordam como eu...




















ka sau
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Nas longas mesas do tempo

embebedam-se os cântaros de Deus.

Eles esvaziam os olhos de quem vê e os olhos de quem

...........................................................................................[não,

Os corações das sombras reinantes,

o magro rosto da noite.

São os maiores bebedores:

levam à boca o vazio como o pleno

e não transbordam como eu ou tu.


[cristal - os cântaros]

só hoje...


















Volto para trás

nesta paz

de ver nos meus passos

o único sinal profundo

da tarde lilás.


Que bom! Hoje não quero salvar o mundo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

da alma à flor da pele


















repara
que solidão é mais
estado de alma
que de pele
é mais
estado de sentir
que de estar
e o ser?
em que estado fica
nesse caminho estreito
e não delimitado
da alma à flor
da pele


http://nydiabonetti.blogspot.com

lembranças...

















Sabes que já não durmo por dentro?
Fecho os olhos e afundo-me num poço sem palavras nem espaço,
continuando, sem o saberes, acordado, temendo perder-te.
E tantas vezes te perdi, tantas vezes regressei e não te encontrei,
tantas inquietamente vezes te chamei e não respondeste!
Agora, a meio da noite, escuto a tua respiração
na cama a meu lado, como se eu e tudo, a minha memória
e os meus sentidos (principalmente os meus sentidos),
fôssemos apenas um sonho de outra pessoa,
provavelmente, como poderei sabê-lo?, um sonho teu.


[nenhuma palavra e nenhuma lembrança - 5.]

medos

não procura nos meus lábios tua boca















anderton
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Não procura nos meus lábios tua boca,
não diante da porta o forasteiro,
não no olho a lágrima.

Sete noites acima caminha o vermelho ao vermelho
sete corações abaixo bate a mão à porta,
sete rosas mais tarde rumoreja a fonte.


[cristal]

quarta-feira, 18 de maio de 2011

um dia serão Deus




















Karan Kapoor



Está aqui todo o mistério do amor.
Se dois seres, amando-se, forem um só,
harmonizando o que neles é contrário,
serão como esta árvore e criarão vida e beleza.
Darão a Deus uma cadeia mais e, noutras vidas,
certamente voltarão a encontrar-se.
E um dia estarão eternamente juntos e
serão mais do que humanos,
mais do que anjos,
um dia serão Deus.


[Anjo Branco Anjo Negro]

se os olhos reaprendessem

lavando o ontem...

terça-feira, 17 de maio de 2011

mas estamos tão pouco...





















m0thyyku

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Uma paisagem muito longe
quando se regressa
continuamos a vê-la no escuro

fechamos os olhos e sentimo-nos vivos
na sucessão dos séculos
falamos de súbito
daquilo que nos assusta
um segredo demasiado intenso
o malogro dos códigos
qualquer idéia extrema
que destrói o mundo e não queríamos

MAS ESTAMOS TÃO POUCO
ONDE ESTAMOS


[baldios - mercado velho, machico]

e a distância maior é olhar apenas















xetobyte
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Eis a carta dos céus:
as distâncias vivas
indicam apenas
roteiros
os astros não se interligam
e a distância maior
é olhar apenas.

A estrela
vôo e luz somente
sempre nasce agora:
desconhece as irmãs
e é sem espelho.

Eis a carta dos céus: tudo
indeterminado e imprevisto
cria um amor fluente
e sempre vivo.

eis a carta dos céus: tudo
se move.



[poesia reunida – mapa]