sábado, 11 de junho de 2011

quinta-feira, 9 de junho de 2011

esperança












Don Smith



já morreram as duas
árvores que
plantei perderam se

no mundo os pequenos
poemas que
escrevi esvaziaram

se de mistérios as noites
de desamparo

o corpo magoa se com
o tempo nenhuma
chuva incomoda mais dói

olhar

prá frente

terça-feira, 7 de junho de 2011

agora sei:

perscrutação





















a14onymus
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não me canso de dizer que cada coisa
pode ser o contrário do que é.

quando digo que cada coisa pode ser
o contrário do que é, sei perfeitamen
te o que digo e é isso que quero di
zer e não o contrário, embora o contr
ário também esteja certo, porque cada
coisa também pode ser o que é.

a função das coisas é ser aquilo
que se quer que elas sejam.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

perder ruínas, pasmando o nada...

a chuva













Elyse Butler




A chuva distorce o claro e o escuro,
e quase apaga os rostos
do homem e da mulher que estão parados
na esquina, sob a marquise.

Talvez seja melhor assim;
pensar que os rostos ainda existem
porque a esquina ainda existe
e porque chove como antes.
Talvez seja melhor esquecer
que os rostos se desmancharam
como se fossem feitos de cera
ou de qualquer outra matéria pálida.



You play your part painting in a new start
But each gate will open another

quando algo é lindo...











liniers

domingo, 5 de junho de 2011

ao nome breve que se guarda















sirbion

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A verdade é que não conseguia curar-se
de uma delicadeza infinita
senão consigo
ao menos para com o mundo
a glória desejava semelhante
no escuro e à luz dos campos
embora tanto se achasse incapaz

preferiu sempre a seta que desaparece
ao nome breve que se guarda


[baldios - seta]

com as nossas palavras construi-lo























[...]

E, no entanto, é à sua volta
que se articula, balbuciante,
o enigma do mundo.
Não temos mais nada, e com tão pouco
havemos de amar e de ser amados,
e de nos conformar à vida e à morte,
e ao desespero, e à alegria,
havemos de comer e de vestir,
e de saber e de não saber,
e até o silêncio, se é possível o silêncio,
havemos de, penosamente, com as nossas palavras construi-lo.

Teremos então, uma casa onde morar
e uma cama onde dormir
e um sono onde coincidiremos
com a nossa vida,
um sono coerente e silencioso,
uma palavra só, inarticulável,
anterior e exterior,
como um limite tendendo para destino nenhum
e para palavra nenhuma.


[nenhuma palavra e nenhuma lembrança - ludwig w. em 1951]

como eu em vós...



















[...]

Que respostas vos darei,
coisas, se tudo é de mais,
se em vós procurei
o que em mim procurais?

Um espelho, um olhar
onde me ver;
um silêncio onde escutar
as minhas palavras; algo como uma vida para viver.

Se estais também sós,
assustadas e hostis,
como eu em vós?



[nenhuma palavra e nenhuma lembrança - la fenêtre eclairée]

sábado, 4 de junho de 2011

buscando seu silêncio





Vim

buscar o que perdi

no espanto do dia



Nem que seja



seu silêncio



[ Habite-se – Caminhada]



Nikola Miljkovic

quinta-feira, 2 de junho de 2011

não vivem senão em nós














MojoFire
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Cada dia que passa incorporo mais esta verdade, de que eles não
.................................................................[vivem senão em nós
e por isso vivem tão pouco; tão intervalado; tão débil.
Fora de nós é que talvez deixaram de viver, para o que se chama
....................................................................................[tempo.
E essa eternidade negativa não nos desola.
Pouco e mal que eles vivam, dentro de nós, é vida não obstante.
E já não enfrentamos a morte, de sempre trazê-la conosco.

Mas, como estão longe, ao mesmo tempo que nosso atuais
.......................................................................[habitantes
e nossos hóspedes e nossos tecidos e a circulação nossa!
A mais tênue forma exterior nos atinge.
O próximo existe. O pássaro existe,
E eles também existem, mas que oblíquos! e mesmo sorrindo, que
.............................................................................[disfarçados...

Há que renunciar a toda procura.
Não os encontraríamos, ao encontrá-los.
Ter e não ter em nós um vaso sagrado,
um depósito, uma presença contínua,
esta é nossa condição, enquanto,
sem condição, transitamos
e julgamos amar
e calamo-nos.

Ou talvez existamos somente neles, que são omissos, e nossa
............................................................................[existência,
apenas uma forma impura de silêncio, que preferiram.


[nova reunião - convívio]

quarta-feira, 1 de junho de 2011

contrastes























MojoFire

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[...]
mas vive-se de um momento para outro
a imensidão flagrante dos contrastes
nomes imóveis, repletos
o desejo assinala

é assim que rodo
à volta de lugares desconhecidos
nenhum corte me doeu
nunca estive sozinha


[baldios - para um desenho de Ilda David']