domingo, 28 de agosto de 2011

no pulso do silêncio



até perder todos os signos...





















quelquechose - deviantART


Amor. Amor. Amor, gostava de dizer esta palavra até gastá-la ainda mais. Amor, gostava de dizer esta palavra até perder ainda mais o seu sentido. Amor. Amor. Amor, até ser uma palavra que não significa nem sequer uma ilusão, uma mentira. Amor, amor, amor, nem sequer uma mentira, nem sequer um sentimento vago e incompreensível. Amor amor amor, até ser nem sequer uma palavra banal, nem sequer a palavra mais vulgar, nem sequer uma palavra. Amoramoramor, até ao momento em que alguém diz amor e ninguém vira a cabeça para ouvir, alguém diz amor e ninguém ouve, alguém diz amor e não disse nada. Sozinho, diante da campa. O amor é a solidão.


[Uma Casa Na Escuridão]

sábado, 27 de agosto de 2011

a noite se desfez...


























griet pear deviantART


nunca te pensei porto para rotas
embarcações apenas caminho
compartilhado nunca te
quis guia dos meus inúteis

combates comigo
mesmo somente par nas
incompreendidas
saudades

havia tanta coisa a
fazer nesta terra
inclemente de mãos
dadas e quando a

noite se desfez nossas
frágeis palavras enfim encheram
se de
asas

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

do tempo que há-de vir...



























bubble gum heart deviantART



A árvore da sombra
tem as folhas nuas
como a própria árvore ao meio-dia
quando se finca à terra
e espera
como um cão espera o regresso do dono.
Nós abrigamo-nos mais tarde ou mesmo agora num lugar
muito distante
onde o tempo recorta
um tapete que esvoaça no papel.
A casa da sombra
é branca e habitada.
Somos nós ainda
sentados ao fogo que o teu sorriso
acende e aconchega
no silêncio que ilumina
a árvore da sombra
para que a noite desenhe
o seu nome visível
e a sombra possa contemplar
Os ramos mais belos e o tronco mais esguio
do seu objecto.
Nesta sombra há um imenso amor
ao meio-dia.
A hora dos prodígios
é feita de segundos do tempo que há-de vir
e o horizonte
é a proximidade total da tua boca.



para nunca mais...



terça-feira, 23 de agosto de 2011

na pretensão do gesto


























Djoe - DeviantART

[...]
Jamais o silêncio
se refere ao silêncio.
Jamais a aurora, à aurora.
Ele, seus passos nos séculos.
Ela, fielmente congelada
no instante.
(...em meio a um universo enfurecido,
atada a seu espaço,
por pesadas correntes
de sombra e luz reunidas.)
Jamais à ausência
se refere a ausência.
Jamais ao crepúsculo, o crepúsculo.
A desmesura não seria senão
um limite perdido, reconquistado?
Onde ele não é mais suportável
e se confunde com sua ambição
inconfessada.
Abusiva pretensão do gesto;
da forma apaixonada por si própria.
No universo, tantos muros
provocantes
e portas proibidas.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

um canto de paz...



























FttSniper DeviantART



Sei a hora em que a face mais impassível
é atravessada por um cruel esgar:
desvenda-se por um triz uma pena invisível.
Na rua apinhada ninguém a pode enxergar.

Vós minhas palavras, em vão traís o aguilhão
secreto, o vento que sopra no coração.
A verdadeira razão está em calar-se.
O canto que soluça é um canto de paz.


[ossos de sépia]

somos a distância



domingo, 21 de agosto de 2011

ao alcance do infinito


























juoda-plunksna



[...]

Eu te proponho

sermos simultâneos, hoje na distância

de um passado sem futuro

no denunciar do absurdo desta paisagem

presente, onde as nossas mãos

tentam ainda alcançar o infinito.