quarta-feira, 4 de agosto de 2010

MemÓrias






















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anca cernoschi


Não reveleis o sonho. A luz do dia
fere demais a alma, e oculta
a face esquece a sua chaga rubra.

A dor, amordaçando, purifica:
que ela te dê no sangue o novo alento
para outros vôos de que sairás vencido

(mas entretanto vives...). E procura
haurir na solidão a graça, o prêmio
daquele instante puro, essencial

a que não chega o vão rumor do tempo
desfigurado e vil... E já liberto
conhecerás tua verdade inteira

ouvindo alguém, sem corpo nem memória,
segredar-te as palavras invisíveis
de que é tecida a Noite - Tua esperança.


Milton Nascimento-Caçador de Mim

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