
[...]
tu não podias me ver porque montavam guarda
os rancores alheios
eu não podia te ver porque me ofuscava
o sol dos teus presságios
mesmo assim me perguntava constantemente
como serias na tua espera
se abriria por exemplo os braços
para abraçar a minha ausência
mas o muro caiu
foi caindo
ninguém soube o que fazer com os mal-entendidos
houve quem os juntou como relíquias
e de repente uma tarde
te vi sair de um buraco de névoa
e passar ao meu lado sem me chamar
nem me tocar nem me ver
e correr ao encontro de outro rosto
cheio de calma cotidiana
outro rosto que talvez ignorava
que entre ti e mim existia
tinha existido
um muro de berlim que ao nos separar
desesperadamente nos juntava
esse muro agora é só escombros
mais escombros
e esquecimento.
[o amor, as mulheres e a vida – epigrama com muro]
.
.
.
Nenhum comentário:
Postar um comentário