quinta-feira, 10 de março de 2011

só por viva a alma te fazer sentir





















xetobyte
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Porquê tanta procura de ti mesmo,
Tanta dor, tanta ferida por sarar,
Tanta palavra à solta nesse mar
Da alma, em inquieto sofrimento?

Se a dor sozinha por vida tens tomada,
Só por viva a alma te fazer sentir,
É porque da paixão não sabes nada.

Por compaixão por ti deixo-te ir...

um dia ...talvez

terça-feira, 8 de março de 2011

de tudo querer viver














sara with a gun
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Resta a certeza, agora já tardia,

de tanto desejo ser utopia.

De tudo querer viver sem viver nada.

imprecisos dias














awwXsugar
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Estava um ar tão transparente
que foram precisos óculos
para desfocar o mundo
e eu tornar a ver os dias
imprecisos, como sempre

sem nudez
























[...]

Não me perguntem nada. Já vi como as coisas

procuram a sua direcção e encontram o seu vazio.

No ar deserto há uma dor de ausências

e nos meus olhos pessoas vestidas, sem nudez!

segunda-feira, 7 de março de 2011

basta-me que sorrias




















Frenzyy-DeviantART



basta-me que sorrias
todo o sol que o dia não trouxe hás-de
promete-lo nos teus lábios

chove
a noite apressa-se a toda a parte:
sou eu e o universo
eu e a hora dos que recolhem ao quarto
eu e um sorriso apontado ao coração

basta-me que sorrias
basta-me saber daqueles que ama
e também choram
daqueles que amam e também escondem

basta-me que sorrias
basta poder deitar-me ao teu lado
e não estar só

basta-me que sorrias

alegre

aquele que é escrito

a gravidade

domingo, 6 de março de 2011

não a mim...

























Alguns.
em tais momentos.
pensaram invocar o repouso.
ou o mar da serenidade.
isso talvez lhes tenha dado algum sossego.
não a mim.

aquela que me dilacera...
























[...]
— Qual é o teu destino?
— Abrir o livro.
— Estás no livro?
— Meu lugar é no limiar.
— O que procuraste aprender?
— Detenho-me algumas vezes no caminho das origens e interrogo os signos, universo de meus ancestrais.
— Perscrutas os vocábulos reencontrados?
— As noites e manhãs das sílabas que são minhas, sim.
— Tu te desvias.
— Caminho há dois mil anos.
— Tenho dificuldades em seguir-te.
— Eu próprio, com freqüência, procurei desistir.
— Estamos em presença de um relato?
— Tantas vezes contaram minha história.
— Qual é a tua história?
— A nossa, na medida em que ela está ausente.
— Compreendo-te mal.
— As palavras me fragmentam.
— Onde estás?
— Nas palavras.
— Qual é tua verdade?
— Aquela que me dilacera.
— E tua saudação?
— O esquecimento de minhas palavras.
— Posso entrar? Já escurece.
— Uma chama queima em cada palavra.
— Posso entrar? Escurece ao redor de minha alma.
— Escurece igualmente ao meu redor.
— O que podes fazer por mim?
— Tua cota de sorte está contigo.
— A escritura que chega nela própria é somente uma manifestação de desprezo.
— O homem é liame e lugar escritos.
— Odeio o que é pronunciado onde já não me encontro.
— Mudas o futuro, tão cedo traduzido. Resta-te a ti sem ti.
— Tu me opões a mim. Jamais sairei vencedor do combate.
— A vitória é a prenda consentida.
— És judeu e te exprimes como tal.
— As quatro letras que designam minhas origens são teus quatro dedos. Dispões do polegar para me esmagar.
— És judeu e te exprimes como tal. Mas tenho frio. Escurece. Deixa-me entrar na casa.
— Uma lâmpada está sobre minha mesa, e a casa está no livro.
— Habitarei enfim a casa.
— Seguirás o livro onde cada página é um abismo em que a asa ilumina junto ao nome.

invisível ao seu começo

sexta-feira, 4 de março de 2011

a uma estrela






















A alma é o instante de luz que o primeiro vocábulo pode fazer explodir;
somos, então, semelhantes ao universo,
com nossos milhares de astros sob a pele,
diferenciados pela intensidade do seu brilho,
como distinguimos uma estrela pela claridade de sua confissão.

somos a distância